Me disseram que a fruta preferida de Jesus era damasco. Hum, não sei...não sei... O fato é que ando mais para ateia do que para cristã, no entanto, preparei um saboroso e atraente bolo de damasco para a ceia da família!
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Espanha
Os olhos fecho, verte-se o Tejo, em meu rosto. Corro por vielas, avenidas, a latência me persegue, colada à muralha, sigo. Surgem as torres, entro, o lusco-fusco cega toda a manhã. Respiro um hálito ocre, sangra a pele no altar, sento nos primeiros bancos, velada é a missa. Cristã sou, canto com força. Comunguei por seu pai.
Sentada, o sol declinava, diante do Palácio Real, lia, algo qualquer, talvez um guia, algumas informações históricas para saciar a curiosidade. Sons familiares, berros, espirros nas esquinas, uma ambulância estridente. Um farfalhar de outono anunciava o alaranjado das árvores, um grisalho senhor enroscava-se em meu braço, contava que era viúvo, longe o filho, ali eu me perdia.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Resenha do Histerectomia no Antro Diálogos
Deu no blog Antro Diálogos a resenha do meu texto Histerectomia, apresentado durante as Satyrianas. Aliás tem resenha de textos de outros amigos dramaturgos também! Vale conferir!
Tenho que confessar que isso me motiva, me provoca a escrever, rascunhar e seguir!
http://antroexpostodialogos.blogspot.com/2010/12/histerectomia.html
Tenho que confessar que isso me motiva, me provoca a escrever, rascunhar e seguir!
http://antroexpostodialogos.blogspot.com/2010/12/histerectomia.html
Histerectomia
Por Luísa Valente
O poder do mito
Projeto Ouvir Contar, leituras dramáticas
Análise a partir da dramaturgia
"Histerectomia", de Aninha Terra
Qual é o lugar do mito no mundo moderno? Essa questão é, por si só, bastante difícil de ser pensada num mundo onde os mitos claramente já não orientam a vida do ser humano na terra - há muitos, muitos e muitos anos, diga-se de passagem. Os mitos se despreenderam das atividades humanas e dos homens (ocidentais, sobretudo) há milênios, eles não nos fazem falta, são associados à histórias falaciosas, mentiras, histórias mágicas e irreais. E o que fazemos com eles? Nada. Nem sequer nos interessamos por eles.
Justiça seja feita: acadêmicos se interessaram por eles desde os primórdios das ciências humanas. Mircea Eliade. Lèvi-Strauss. Joseph Campbell. Esses homens dedicaram boa parte de suas vidas ao estudo dos mitos, de seus significados, de sua função social - sim, mitos são mais do que fábulas.
Transitando livremente entre as idéias desses três grandes mestres, vou tentar evidenciar a importância do mito. E vou ser um pouco didática, sim. Falarei do mito para poder falar de "Histerectomia", um texto que dá espaço ao mito e se distancia da aridez de alguns textos contemporâneos com sensibilidade inteligente e meticulosa.
O mito é sempre a narrativa de uma "criação" que é, por sua vez, uma irrupção do sagrado no mundo que o fundamenta e o converte no que ele é, no que conhecemos dele. Quando digo que o mito narra uma criação, devemos ter em mente que essa criação revela os modelos exemplares, ou, se preferirem, as estruturas de todas as atividades humanas significativas, da alimentação ao casamento e de atividades ainda mais subjetivas, como as da educação ou da arte.
Os mitos são, assim, formas de significação do mundo. Outro aspecto aqui precisa ser notado: ao significar o mundo, eles trazem em si valores absolutos capazes de guiar o homem e de significar também sua existência. Eles falam ao homem e falam do homem. Acolhem o homem, mostrando-lhe seu lugar no mundo e que a realidade e a verdade harmonizam com o sagrado, com a natureza e o transcendente.
A força do texto de Aninha Terra está no reconhecimento de que o mito é tudo isso, que ele pode sair do gabinete dos antropólogos - um dos poucos locais onde ainda é valorizado - para o mundo, para o teatro, para o palco. E mais: que ele pode ser ressignificado, que ele pode ser poetizado sem perder sua força, que ele pode ser autoral. E mais ainda, e isso é genial: que ele pode ser crítico, que ele é social. Que pode revelar algo tão intrínseco, tão elementar de nossa sociedade da mesma forma que os mitos registrados por Campbell revelam das sociedades que ele estudou. Torço, muito, para ver esse texto encenado.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Bobinho!
Me sinto só quando chove, não qualquer chuva, mas essa chuva de dezembro forte que leva embora tudo, dessas boas chuvas que não são modestas. Me sinto só, porque o mundo parte e eu fico dentro calada, sozinha, só eu mesma, comigo mesma, só. E quem eu quero está longe, assim bem longe. Tão longe que chega tocar o meu coração. Me sinto só com uma vontade tamanha de engolir o mundo e caminhar descalça pela calçada molhada, pela terra úmida, com gotas marcando a face, com os olhos mareados.
Me sinto só, porque só sei que há de tudo em mim.
Chove, chove e eu cá comigo mesma, sem você.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Dona Philomena
Onde será que minha avó guarda sua infelicidade? A casa está sempre tão impessoal, tão limpa, tudo tão no lugar...Creio que a infelicidade está propositalmente dentro dos frascos de perfume e no brilho ostensivo do piso.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Chaya - Clarice,
Não gosto muito de ler biografias, sempre reluto, no entanto, ontem visitei a biblioteca e dentre tantos livros, resolvi emprestar a biografia de Clarice Lispector. E para a minha surpresa, devoro as páginas com tamanha curiosidade e violência que já li 1/4 do livro sem perceber.
Gostei de saber que Clarice nasceu Chaya - nome hebraico que significa "vida".
"Me deram um nome e me alienaram de mim"
Recomendo!
CLARICE,
de Benjamin Moser
Aliás outro livro maravilhoso, esse eu tenho aqui na minha estante, é o Clarice Fotobiografia, vale uma olhada sempre. As fotos estão distribuídas em sequência cronológica e em função dos espaços habitados ou percorridos pela escritora.
CLARICE FOTOBIOGRAFIA
de Nadia Battella Gotlib
de Nadia Battella Gotlib
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Dispersos
Preciso colocar alguns pingos em frases que ficaram abertas. Entre outras coisas, dizer aquilo que a gente ama e odeia. Muito clichê, muito humano.
Releio sempre Esperando Godot nesses momentos em que não há desfecho - nesse compasso de espera.
Minha avó adoeceu, fisicamente não tem nada, a sombra da neurose persegue essa família. Aqui estou vivendo a minha " Longa jornada noite adentro".
Ando viciada em esmaltes, aprendi a fazer minha unha e agora a cada dois dias uso uma cor diferente. Tenho vontade de comprar milhões de vidrinhos. Estou usando a cor marina da Impala, um azul lindo!
Quero ver o novo do Woody Allen, "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", disseram que não tem nada diferente de todos os outros filmes, deixa que digam, que pensem, que falem...eu adoro o Allen e ponto final.
Também gostaria de conferir a mostra da Denise Stoklos no Centro Cultural Vergueiro. Farei de tudo para ver Mary Stuart amanhã: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_teatro.asp
Releio sempre Esperando Godot nesses momentos em que não há desfecho - nesse compasso de espera.
Minha avó adoeceu, fisicamente não tem nada, a sombra da neurose persegue essa família. Aqui estou vivendo a minha " Longa jornada noite adentro".
Ando viciada em esmaltes, aprendi a fazer minha unha e agora a cada dois dias uso uma cor diferente. Tenho vontade de comprar milhões de vidrinhos. Estou usando a cor marina da Impala, um azul lindo!
Quero ver o novo do Woody Allen, "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", disseram que não tem nada diferente de todos os outros filmes, deixa que digam, que pensem, que falem...eu adoro o Allen e ponto final.
Também gostaria de conferir a mostra da Denise Stoklos no Centro Cultural Vergueiro. Farei de tudo para ver Mary Stuart amanhã: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_teatro.asp
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Notas sobre Teatro em Domicílio
Posto o link da pequena matéria que saiu no Site da SP-Escola de Teatro sobre o processo do Ouvi Contar, o projeto que aconteceu na Satyrianas.
http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=509
Minhas impressões:
“Foi minha primeira vez e a primeira vez a gente não esquece, certo? A leitura aconteceu no 11º andar de um apartamento num edifício símbolo de São Paulo, com ambiente intimista e cheio de possibilidades. Escutar o texto reverberando pela primeira vez em público foi algo inefável, que marcou minha trajetória de artista. O processo de participação na Satyrianas foi importante para compartilhar os nossos processos de criação e a nossa experimentação dramatúrgica. Durante a leitura, senti que o teatro deve e pode ser democrático e que há espaço para todas as manifestações. Hoje, penso que já sou uma iniciada dramaturga, um dos meus primeiros passos foi essa leitura no projeto ‘Ouvi Contar’”.
http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=509
Minhas impressões:
“Foi minha primeira vez e a primeira vez a gente não esquece, certo? A leitura aconteceu no 11º andar de um apartamento num edifício símbolo de São Paulo, com ambiente intimista e cheio de possibilidades. Escutar o texto reverberando pela primeira vez em público foi algo inefável, que marcou minha trajetória de artista. O processo de participação na Satyrianas foi importante para compartilhar os nossos processos de criação e a nossa experimentação dramatúrgica. Durante a leitura, senti que o teatro deve e pode ser democrático e que há espaço para todas as manifestações. Hoje, penso que já sou uma iniciada dramaturga, um dos meus primeiros passos foi essa leitura no projeto ‘Ouvi Contar’”.
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