Quero fazer um ensaio com cerejas, vi umas fotos e me deu uma vontade. A temporada das cerejas comecou, é tao bom, eu comi duzias e duzias durante o final de semana. Percebi que tenho que potencializar o tempo para os meus projetos. Hoje encontrei uma peca que escrevi, tinha esquecido. Gostei de topar com o jeito descuidado da escrita, eu achava que estava fazendo uma invencao colocando a rubrica como personagem.
Estive na casa da vizinha, entrei no jardim, o filho sofreu um acidente, a gente vai doar o gatinho no sábado. Nao ando muito carinhosa com os animais. Levantei cedo, o mestrado só na próxima semana. Terminei alguns projetos literários para o fundo das artes chileno. Minha meta é escrever tudo em espanhol, nao tem jeito, pelo menos agora tenho que meter na cabeca que o portugues é minha segunda língua.
O dia está quente, lembra o Brasil.
Fiquei com vontade de pegar o dinheiro e comprar uma passagem.
Nao posso agora, tenho que ficar de olho no forno.
As plantas crescem, crescem.
Um amigo querido vai mudar para o Chile, gostei da novidade, vai ser bom encontra-lo.
As vezes olho meu anel e penso no que fiz, tudo tao abrupto, mas quando o Jacaré chega, uma ternura me toma. Sinto tanto...
Li a Hilst falando sobre o casamento, refleti muito sobre o estado de "estar" casada. Eu me esqueco sempre porque sei que posso amar tanto, tanto e amo. Os amores nao se confundem, cada amor é diferente, cada amor tem a sua potencialidade, a sua poesia. Poligamica para amar, eu já falei disso algumas vezes, a gente pode guardar muitos liquidos dentro da gente.
Ahhhh
eu já iria comecar a pensar na sexualidade.
nos liquidos que invadem o corpo em estado de cataclisma sexual.
A gata me irrita, outro dia sonhei que ela estava me chupando.
Confesso que fiquei atormentada, mas a sensacao era tao boa, pelo menos em sonhos a língua me fazia exalar meus melhores cheiros.
(nao acredite em tudo que escrevo)
Eu queria que a gata me chupasse,
Tenho mesmo tesao em uma cena:
mulher de quatro, com um volume do Sexus aberto diante do nariz, veste algo leve, nao sei dizer ao certo, mas veste algo, sem calcinha, uma gata entra, uma gata pequena, parece filhote, mas já é adulta. A gata tem uma descomunal lingua, nao dá para medir, imensa. Ela nao consegue fechar a boca, a língua salta para fora.
A gata se mete no meio das pernas da mulher, a mulher comeca a recitar o livro de Miller no ritmo das lambidas da gata.
(a cena para aqui, nao quero que a mulher goze ou a gata, quero prolongar, quero manter o ritmo, nao quero que os fluidos parem, quero manter o continuo, o continuo, para nao chegar o gozo, o gozo é um resfolego em comparacao a espera, ao continuo, a cena nao pode ser repetitiva, deve se encontrar um prolongamento no tempo, algo que nao fique pedante, mas que seja plausível, algo que provoque a sensacao de estancamento, de parada continua.)
gosto de erotismo na arte,
gosto de uma coisa meio vaginal saindo do texto.
Ando pegada a isso ou talvez seja isso mesmo a minha busca, um texto que possa ser tao absorvente, tao amalgamado quanto uma xoxota. Eu gosto de pensar na xoxota como uma resposta estética, gosto da ideia que a xoxota possa servir como aparato estilístico para a construção de uma arte que seja violadora dos princípios masculinos.
Fui pra outros lados,
mas quero me expor,
preciso expor!
a gente tem mesmo um buraco para mostrar!
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