sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Insonia

Dormi pouco, fechava os olhos e um caleidoscópio enchia as minhas retinas, senti tanto o cheiro do hospital, tive que levantar para vomitar.  Preciso jogar fora um frasco de sabão liquido, ficou em algum lugar. Imaginei o pote destapado exalando a fragrância por toda a casa. Consegui dormir quando os primeiros raios tocaram a janela, foi uma historia estranha, cheia de gatos e manjericão.

Ontem flertei com a Clara Nunes, cantei gritando desafinada pela casa, os homens na cozinha jogando conversa fora, conversa pra boi dormir. As vezes tenho vontade de me enfiar numa caixinha e me enviar para o Brasil, nao há como negar. No entanto, nao me entrego facilmente.

Ando arisca, queria saltar muros e sair pelo bosque a caçar uns ratos. Tentei falar, versar um pouco sobre o que estou passando, será que é um luto que chegou tardio? As vezes me culpo, penso que tive uma porcentagem grande no desfecho trágico. Quando passo na porta do hotel, fico tremula, tenho vontade de procurar a dona e golpeá-la, dar um ataque, descontar a raiva que se instalou.

Acumulo culpas, minha mae tenta me ajudar, sei que faz das suas  para manter a tranquilidade. Eu nunca posso olhar as fotos daqueles dias, me dá uma insatisfacao profunda, nao quero me arrepender de nada, mas parece que a vida te cobra tanto. Vou procurar uma terapia, nao consigo me livrar disso sozinha, nao sei porque escrevo, o blog definitivamente virou algo entre o ajuda e o neurótico.

Nao me importa, para que preocupar-se?
A resposta do mestrado ainda nao saiu, prorrogaram os prazos.
Deixei isso no fundo para nao ficar tao ansiosa.
Eu comeria um prato cheio de batatas com alecrim.



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