Meus olhos estao ardendo, minhas narinas estao irritadas, tosse seca, seca, seca. Nao é poluicao, nem a falta de chuva, foi a Policia com suas bombas e armas para conter a massa. Hoje teve manifestacao no centro de Concepcion, eu nao me meti na marcha, estava a caminho da U para entregar os meus documentos. Quando cruzei a avenida para entrar no Campus percebi carros da policia e a tropa de choque organizada para invadir. Fiquei na minha, cruzei diante dos policiais e quando coloquei os pés dentro da Universidade um estudante, desses chamados aqui " encapuchados", atirou uma pedra nos policiais, depois outro e outro e outro. Atiravam como forma de proteger a Universidade, aqui também a policia nao deveria entrar no Campus, NAO DEVERIA.
Sai correndo, as pedras passaram perto da minha cabeca, eu nao era o alvo, mas poderia ser, fui me metendo dentro da U e me dei conta que outras pessoas tambem corriam, nao sabia direito para onde, do outro lado um campo de guerra, centenas de estudantes "encapuchados" se enfileiravam para criar um muro humano contra a invasao policial.
Os policiais entravam com os seus brinquedinhos, arremessavam bombas de gas lacrimogenio, tinham seus carros que lancavam agua, era ridiculo, me senti em maio de 68 ou coisa semelhante.
Parei de correr, fiquei por uns longos minutos observando a trincheira que se formou, eram estudantes de diferentes idades, tinha gente do ensino médio também, garotas, garotos de todos os tipos. O conflito era ordenado, existia um jogo de gato e rato. Percebi que o ar estava cheio de gas, um gas forte e que irritava os olhos. Tentei me proteger fazendo uma mascara com a minha blusa, horrivel a sensacao, brutal.
Bombas que sao disparadas contra a populacao civil no intuido de controlar, coagir, manter a dita ordem social. Eu nao fui educada para me proteger da violencia institucional, essa que é perpetrada pelo estado, essa violencia que vi hoje e também fui vitima. Se nota que a repressao está na ordem do dia, seja na USP, na Grécia, nas ruas de Nova York, aqui no Chile.
Nao concordo com o fato da policia entrar numa marcha pacifica dispersando os estudantes de uma maneira tao brutal, os estudantes se protegem e o circo se arma. Li sobre a crise na USP, o debate tem que ir além do fato da policia estar presente no Campus ou nao, devemos discutir sobre a existencia de forcas de seguranca e como essas forcas de seguranca atuam na sociedade. Nao é possível que a policia continue sendo uma das forcas do estado para controlar a populacao.
Estou ainda com os olhos cheios de gás, senti tanta impotencia diante do ataque descomunal dos "carabineiros", para que tanta forca diante de umas poucas pedras? Aqui o buraco está cheio e a crise se acentuou drasticamente. Sao seis meses de greve dos estudantes, muitos edificios educacionais estao tomados, os estudantes dormem nos locais, agora o governo quer usar uma lei da época da ditadura, uma lei de seguranca nacional para "estabelecer" a tal ordem. Cinquenta mil jovens perderao o ano por conta da greve e nao há prazo para um acordo.
Os estudantes querem que a educacao seja gratuita, gratuidade total, que nao exista mais lucro com a educacao, estao pedindo o justo, mas sao 20 anos de um modelo neoliberal ao extremo, milhares de universidades privadas pululam, voce pode escolher, sao 20 anos de uma linha politica que seguiu os passos de Pinochet e isso porque se diziam de "esquerda".
Falta a discussao sobre esse modelo neoliberal adotado sem ressalvas por nossos países, eles tem garra, mas percebo que falta formacao politica, ler algumas coisinhas, fazer uma análise de conjuntura, propor questoes palpaveis. No entanto, o movimento que perpetuam é invejável. Toda semana marchas, greves, pronunciamentos e conseguiram o apoio de outros setores da sociedade.
No Chile ou no Brasil vivemos em tempos de uma "liberdade" de mercado, somos consumidores mais que cidadaos. É obvio dizer, mas é preciso e o estado segue "protegendo" os interesses de poucos.
Estou ainda com os olhos cheios de gás, senti tanta impotencia diante do ataque descomunal dos "carabineiros", para que tanta forca diante de umas poucas pedras? Aqui o buraco está cheio e a crise se acentuou drasticamente. Sao seis meses de greve dos estudantes, muitos edificios educacionais estao tomados, os estudantes dormem nos locais, agora o governo quer usar uma lei da época da ditadura, uma lei de seguranca nacional para "estabelecer" a tal ordem. Cinquenta mil jovens perderao o ano por conta da greve e nao há prazo para um acordo.
Os estudantes querem que a educacao seja gratuita, gratuidade total, que nao exista mais lucro com a educacao, estao pedindo o justo, mas sao 20 anos de um modelo neoliberal ao extremo, milhares de universidades privadas pululam, voce pode escolher, sao 20 anos de uma linha politica que seguiu os passos de Pinochet e isso porque se diziam de "esquerda".
Falta a discussao sobre esse modelo neoliberal adotado sem ressalvas por nossos países, eles tem garra, mas percebo que falta formacao politica, ler algumas coisinhas, fazer uma análise de conjuntura, propor questoes palpaveis. No entanto, o movimento que perpetuam é invejável. Toda semana marchas, greves, pronunciamentos e conseguiram o apoio de outros setores da sociedade.
No Chile ou no Brasil vivemos em tempos de uma "liberdade" de mercado, somos consumidores mais que cidadaos. É obvio dizer, mas é preciso e o estado segue "protegendo" os interesses de poucos.

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