sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pequena decisão

Farei uma nova tatuagem:

" Pies para qué los quiero
Si tengo alas pa' volar."

F. Kahlo

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Minguante

O copo vazio à espreita do líquido
Antecipa o momento de sentir-se cheio.

Uns versos assim pela tarde, provocaram-me
Certa veracidade opaca como a Morte.
Vermelhos intensos metálicos, de toda sorte
De tantos intensos perfeitos, aflorei-me por inteira

Vertigem de uma vida toda, tão toada vida de mim
Vertigem de uma vida inteira, tão visceral dentro de mim

Do incerto brota e de certo sempre ao vasto daquilo que brilha
Casa, morte e vida, de moradas faz-me minha, da morada fica-me a sina

Inteira morte, posto a mim se destina, da soleira aurora, já vertigem matutina
Descrente das dores imanentes, a paixão é etérea e de dores e prantos é como a seiva divina.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vida e Morte

Ganhei na loteria uma rosa lilás, o diário da Frida e muitas Lembranças.
Perdi dez quilos, entrei na Universidade e tomei Litium.

Cansei de ser o que era para gostar de ser o que sou.
Morri vinte nove vezes, me afoguei em trapos sujos, esqueci de dizer Amor.

Perdi o pouco que me restou, feri os pés, nasceram asas.
Meu espólio nunca estará completo, pois de mim nada resta somente poucas arestas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mostra de Cinema

Estou alucinada com a Mostra, tanta coisa, tantas pessoas, tantas conversas. Ontem assisti mais três filmes, entre eles dois de Theo Angelopoulos e ADOREI, foi a primeira vez que vi algo desse renomado diretor grego e que maravilha.


O primeiro filme UM OLHAR A CADA DIA (TO VLEMMA TOU ODYSSEA) de 1995, conta a história de um cineasta greco-americano, conhecido simplesmente como “A”, que retorna à sua terra natal no norte da Grécia para uma exibição de seu último e polêmico filme. A verdadeira razão de ter voltado, no entanto, é encontrar três rolos de um filme realizado pelos irmãos Manakis, pioneiros do cinema na Grécia, que estão perdidos desde o início do século XX. Os Manaki viajaram pelos Bálcãs ignorando os conflitos étnicos e civis, registrando o cotidiano de pessoas comuns, principalmente artesãos. “A” acredita que essas imagens contêm a chave para a inocência perdida e uma verdade essencial para entender a história da região. Ele embarca então em uma jornada que o leva através dos Bálcãs destruídos pela guerra, uma paisagem de espectros e sonhos partidos. Sua viagem é a odisseia possível de um Ulisses contemporâneo em busca de sua Ítaca.

O outro filme de Angelopoulos foi o O APICULTOR (O MELISSOKOMOS) de 1986, no elenco Marcello Mastroianni, já velhinho,  interpreta Spyros, um homem consumido por um amor secreto e incestuoso pela própria filha. No dia do casamento dela, ele abandona a carreira de professor, a esposa e a casa para retomar a profissão do pai e do avô: cuidar de abelhas. Seguindo a rota tradicional do apicultor pelo país, em busca das flores que produzem o melhor mel, ele dirige de cidade em cidade revisitando o passado e os velhos amigos, tentando conciliar os ideais do passado com as rápidas mudanças que acontecem no país. Um dia, ele dá carona a uma jovem promíscua, que fala pouco e parece representar uma nova geração sem memória e sem preocupação com o passado e ele acaba se apaixonando por ela.

Fiquei muito entusiasmada com Angelopoulos, já entrou na lista dos meus diretores preferidos. Ainda nessa Mostra serão exibidos:


TRILOGIA II: A POEIRA DO TEMPO, 2008 
 
Nos vemos na Mostra...




sábado, 24 de outubro de 2009

Atualização urgente!

Faz tempo que não posto nada no blog. Tanta coisa aconteceu nos últimos dias que não sei ao certo por onde começar.







Tenho que dizer que já completei meus 29 anos.


Teve festa, almoço com comida judaica, absinto com pimenta do reino, muito amigos, casa cheia, risadas, stress, comida, amendoim, bolo, torta de morango, vela, Perfil, Máfia, Loucas da Pedra Lilás, amigos antigos, amigos de infância, amigos novos, novos amigos, francesa, barman, Belle & Sebastian, Gil, o Grande Circo Místico, Frida Kahlo, vontade de ter um toca-discos, flores, girassol, cravos, flor do campo, velas perfumadas, brincos, mandalas, desejos e muitos sonhos. A casa ficou cheia de aromas, conversas, sensações e lembranças.

Depois da Esbórnia, veio a Cistite, coisa fina para mulher ativa! Um final de semana em casa, cheio de chá de cabelo de milho e muuuito tempo jogando Máfia Wars.

E logo chegou a 33º Mostra de Cinema...e eu me perdi olhando catálogos, lendo sinopses, colhendo informações preciosas. Comprei meu ingresso, vesti a camisa e parti para a minha primeira sessão no Reserva Cultural.

Assim, vi o Ozon com Rick: estranho, atraente e fantástico. Será que poderíamos gerar pequenos bebês-passáros ?

E logo na sequência, tive aquele gostinho de assistir o último do Resnais!

Gostei, parece uma brincadeira, um jogo, tantas "Ervas Daninhas" e lá se vai. Me perdi entre os corredores, conheci alguns diretores, falei com gentes e gentes, ri muito e quero mais!

Adoro Cinema, assim no escurinho, na poltrona, no burburinho da Mostra!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Os derradeiros cinquenta minutos dos únicos 28 anos

Meu inferno astral terminará em cinquenta minutos, bom ou ruim, de fato não sei! Alimento a deliciosa vontade de completar mais um ano de vida e me deparar com o retorno de Saturno. Deixo muita coisa, levo outras também, aqui colho e semeio,  já sou bem a Terra do Ana, como queriam meus pais,  sou Ana Terra, não a do Veríssimo, a que descerá. As nove da manhã ocorrerá o parto e de dentro de mim partirei ...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

27 de setembro, um ano depois

Um ano depois passamos outro dia 27 de setembro, não mais 2008, não mais 2007. Um perfeito 27 de setembro para comemorar o aniversário do bom poeta Cometa, em outras palavras: meu pai. Pegamos a estrada que nos leva diretamente a um bairro no Vale do Paraíba, chamado Sousa, celebramos a Primavera com cantares, manjares e muita música. Ouvimos Let it Be até cansar e nos banhamos na cachoeira lá Na Beira do Riacho.  Comemos bolo de São Cosme e Damião, rimos e dormimos com o som da cigarra e o cheiro das flores brotando para uma bela esperança. Esquecemos por alguns instantes a dor da perda e celebramos todas as vidas que vêm e vão!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Get Me Away From Here I'm Dying


Hei Janis, você me abandonou
foi caminhar pelas estradas do sul.
Hei Janis, você esqueceu a jaqueta em casa
Agora o frio bate em seus calcanhares.


Os cavalos estão todos congelados, Minha Querida Winnipeg
O rio é uma montanha russa com fantasmas
Hei Janis, você esta atrasada, vá, vá pela orilha do mar.
Mais uma montanha, não tenha medo.
Janis, Janis abra os braços, só as pequenas coisas estão vivas.
Hei Janis, sua jaqueta está na cozinha.



Janis, Janis você sonhou com todos os livros,
Foi caminhar pelas estradas do sul.
Hei Janis, você esqueceu dos seus segredos
Agora só há um imenso silêncio.



Pequena, amanhã engraxaremos todos os sapatos,
Agora deixe-me dormir.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Matutinas

Algumas horas acordado,  os cigarros todos consumi, a janela bate a cada dois minutos e o silêncio tinge a manhã de tons anais. A porta do quarto tem cor de merda, talvez aquela que ficou presa de tanto segurar, não a merda do último natal, nem das primeiras paixões, a pequenina merda que consumi no boteco da esquina. Só na quarta, ingeri quatro bolovos eram redondos e dourados. Uma pequena obra de arte! Os bolovos deveriam ser ready-mades, ficariam expostos em galerias de arte, o ambiente seria regulado para conservá-los. Estudiosos definiriam a cronologia da iguaria que logo seria elevada a tesouro nacional. É, bolovo de todos os dias, dedico-te esta minha insônia que a preencherei com mais uma ida a padaria da esquina... Todo poder ao bolovo!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Cantiga

amor palavra pequena,
oxítona para variar, verbo e sentimento para despertar.
de quatro letras feita,  bensuntada em óleo e sabão,
amour palavra francesa,
receita com caneca, queijo e macarrão,
dez anos mais dez, somos carne e coração.